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Vendas no comércio mostram recuperação e crescem 0,5% em outubro

© Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

As vendas no comércio brasileiro registraram um crescimento de 0,5% em outubro, em comparação com o mês anterior. Este resultado assinala a maior alta consecutiva observada desde março, quando o setor havia experimentado uma expansão de 0,7%. Essa retomada das vendas no comércio indica um fôlego renovado para o segmento, impulsionado por uma série de fatores econômicos favoráveis. O desempenho de outubro contribui para uma análise mais otimista do mercado, embora o acumulado dos últimos 12 meses ainda apresente um desafio, marcando o menor patamar de crescimento desde dezembro. Contudo, a performance mensal sugere uma potencial virada, com o varejo posicionando-se acima dos níveis pré-pandemia.

A dinâmica das vendas no comércio brasileiro
O panorama do comércio no Brasil revela um comportamento multifacetado em outubro. O avanço de 0,5% em relação a setembro é notável, especialmente por ser a elevação mais expressiva em meses seguidos desde março. Ao analisar o cenário anual, as vendas registraram um aumento de 1,1% frente a outubro do ano anterior. No entanto, a perspectiva de longo prazo exige cautela: o acumulado dos últimos 12 meses apontou um crescimento de 1,7%, o menor índice observado desde dezembro, quando a expansão alcançou 4,1%.

Crescimento mensurado e comparativos
A série histórica demonstra a volatilidade do setor nos últimos meses, com flutuações que culminaram na alta de outubro. Após um período de retrações em abril (-0,3%), maio (-0,4%), junho (-0,1%) e julho (-0,2%), seguido por um leve crescimento em agosto (0,1%) e nova queda em setembro (-0,2%), o resultado de outubro (0,5%) representa um ponto de inflexão positivo. Apesar da recuperação, o nível atual do comércio ainda se encontra 0,5% abaixo do maior patamar já registrado em março. Contudo, um dado encorajador é que o setor opera 9,6% acima do patamar pré-pandemia de covid-19, medido em fevereiro de 2020, evidenciando uma resiliência e adaptação às novas realidades de consumo.

Setores em ascensão e a influência econômica
A recuperação das vendas em outubro foi amplamente distribuída, com sete das oito atividades pesquisadas mostrando avanço. O destaque ficou por conta dos setores de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, que lideraram com um crescimento robusto de 3,2%. Em seguida, combustíveis e lubrificantes avançaram 1,4%, e móveis e eletrodomésticos registraram uma alta de 1,0%. Outros segmentos que contribuíram positivamente foram livros, jornais, revistas e papelaria (0,6%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,4%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,3%), e hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,1%). O único setor que apresentou retração foi o de tecidos, vestuário e calçados, com queda de 0,3%.

Motores do crescimento em outubro
A venda de produtos como computadores, celulares e eletrodomésticos foi um motor crucial para o desempenho geral. Empresas do setor souberam aproveitar a desvalorização do dólar frente ao real, o que tornou produtos importados mais acessíveis no mercado interno. Além disso, a realização de promoções específicas contribuiu significativamente para estimular o consumo. A conjunção desses fatores, aliada a um cenário macroeconômico mais propício, pavimentou o caminho para a recuperação observada.

Cenário macroeconômico favorável
A alta das vendas em outubro não pode ser atribuída a um único fator, mas sim a uma “coincidência de fatores” que estimularam o consumo. Entre eles, a inflação cedeu, com registros de deflação em itens como alimentação no domicílio, móveis e eletrodomésticos, aliviando o orçamento das famílias. Um mercado de trabalho aquecido, com mais pessoas empregadas e melhor poder de compra, também foi um pilar fundamental. Adicionalmente, o crescimento do crédito à pessoa física em 2,1% em outubro demonstrou que, apesar da taxa básica de juros (Selic) mantida em 15% ao ano como estratégia de contenção inflacionária, este segmento específico do crédito não sentiu o impacto de forma tão intensa. A Selic, que se mantém nesse patamar para controlar uma inflação que por 13 meses superou a meta do governo, reflete uma política monetária restritiva, cujos efeitos se propagam de forma diferenciada pela economia.

Desempenho do varejo ampliado: além do comércio tradicional
O varejo ampliado, que engloba o comércio varejista tradicional somado a atividades como veículos, motos, partes e peças, material de construção, e produtos alimentícios, bebidas e fumo no atacado, também apresentou um desempenho positivo. Este indicador avançou 1,1% na passagem de setembro para outubro, alinhando-se à tendência de recuperação do varejo. No entanto, no acumulado dos 12 meses, o varejo ampliado registrou estabilidade, com 0% de variação. A performance em outubro foi notavelmente influenciada pela forte recuperação nos setores de veículos, motos, partes e peças, e pela atividade de atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo.

Perspectivas para o comércio brasileiro
O crescimento das vendas no comércio em outubro sinaliza uma importante virada após meses de desaceleração. A combinação de fatores como a depreciação do dólar, promoções atrativas, inflação em declínio, um mercado de trabalho aquecido e o acesso ao crédito para pessoas físicas criou um ambiente propício para o consumo. Embora o acumulado de 12 meses ainda reflita desafios anteriores, o desempenho recente sugere um novo ímpeto para o setor, que já opera acima dos níveis pré-pandemia. A resiliência do varejo, juntamente com a capacidade de adaptação às condições econômicas, será crucial para sustentar essa recuperação e transformar a tendência de alta em um crescimento mais robusto e duradouro nos próximos meses, mesmo diante de um cenário de juros ainda elevados.

FAQ

O que impulsionou o crescimento das vendas em outubro?
O crescimento foi impulsionado por uma série de fatores, incluindo a depreciação do dólar, que barateou produtos importados, e intensas promoções. Além disso, o cenário macroeconômico contribuiu com a desaceleração da inflação (especialmente em alimentos, móveis e eletrodomésticos), um mercado de trabalho aquecido e o aumento do crédito à pessoa física, que demonstrou resiliência mesmo com a taxa Selic em 15% ao ano.

Quais setores apresentaram o melhor desempenho?
Sete das oito atividades pesquisadas registraram avanço. Os destaques foram os setores de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (3,2%), combustíveis e lubrificantes (1,4%), e móveis e eletrodomésticos (1,0%). Apenas o setor de tecidos, vestuário e calçados apresentou retração em outubro.

Como a taxa de juros e o dólar afetaram o comércio?
A depreciação do dólar em relação ao real favoreceu o comércio, tornando os produtos importados mais acessíveis para os consumidores e impulsionando as vendas, especialmente em eletrônicos e eletrodomésticos. Já a taxa básica de juros (Selic), mantida em 15% ao ano, visa conter a inflação. Embora ela tenda a encarecer o crédito em toda a cadeia, o crédito à pessoa física mostrou-se menos impactado em outubro, crescendo 2,1% e contribuindo para o aumento do consumo.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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