A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) marcou, na quinta-feira, 13 de março de 2026, o seu 60.º aniversário com uma cerimónia solene em Muangai, o local histórico onde a organização foi fundada em 1966. Durante as celebrações, o Secretariado Executivo do Comité Permanente da Comissão Política do partido reiterou firmemente o seu compromisso inabalável com a democracia, a unidade nacional e, de forma central, com a concretização da alternância política em Angola, visando as eleições gerais de 2027.
Em uma declaração dirigida à nação angolana, a liderança da UNITA prestou homenagem não só ao seu fundador, Jonas Malheiro Savimbi, mas também aos “Conjurados de Muangai” e a todos os nacionalistas que desempenharam um papel crucial na criação do movimento e na subsequente luta pela independência do país, ressaltando a continuidade de um projeto político enraizado na defesa da dignidade humana e do Estado Democrático de Direito.
Seis Décadas de Trajetória e Princípios Fundadores
A UNITA nasceu num cenário político complexo, em que outros movimentos de libertação já estavam ativos. Destacou-se pela visão de seu fundador, Jonas Savimbi, que optou pela luta armada contra o colonialismo português, caracterizada por uma liderança próxima às populações do interior do país durante a guerra de libertação. Desde a sua génese, a organização autodenominou-se uma “união de povos, aspirações e culturas”, colocando a dignidade do cidadão no epicentro de sua ação política.
Ao longo das últimas seis décadas, os princípios que balizaram a fundação da UNITA permaneceram como pilares de sua identidade. Entre eles, destacam-se a defesa intransigente da liberdade e da independência total de Angola, a promoção de uma democracia baseada no voto multipartidário, a salvaguarda da soberania nacional, a igualdade plena entre todos os cidadãos e a valorização do desenvolvimento rural como motor de progresso e inclusão.
Contribuições Históricas e o Legado para Angola
O percurso da UNITA não se limita à sua fundação. A organização desempenhou um papel significativo na conquista da independência nacional, formalizada em 1975, e posteriormente contribuiu ativamente para o processo que culminou na institucionalização do Estado Democrático de Direito em Angola, consagrado pela Constituição de 1992. Estas contribuições evidenciam a sua participação ativa na construção do país, desde a sua libertação até a edificação das suas estruturas democráticas.
Desafios Atuais e a Visão para o Futuro Político
Fazendo um balanço dos 50 anos de independência e dos 24 anos de paz, a UNITA assinala que Angola ainda enfrenta múltiplos desafios socioeconómicos e políticos. A pobreza endémica, o elevado desemprego juvenil, as dificuldades persistentes no acesso a serviços públicos essenciais, a escassez de medicamentos nos hospitais e a precariedade das infraestruturas são apontados como obstáculos significativos ao pleno desenvolvimento do país. Adicionalmente, o partido manifesta preocupação com alegadas limitações à liberdade política, que entende como impeditivas de uma sociedade mais justa e transparente.
Neste contexto, a UNITA posiciona a alternância democrática como a solução imperativa para superar esses desafios e, consequentemente, melhorar as condições de vida dos cidadãos. A organização reitera, assim, o seu objetivo central de alcançar esta mudança substancial através das eleições gerais agendadas para 2027, perspetivando um futuro de maior prosperidade e justiça social para todos os angolanos.
Propostas de Governança e Transição Democrática
Em sintonia com a sua visão de futuro, a UNITA manifestou apoio explícito ao seu presidente, Adalberto Costa Júnior, e à sua proposta de um “Pacto de Estabilidade Democrática”. Este pacto é concebido como um mecanismo crucial para assegurar uma transição política pacífica, inclusiva e estável, fundamental para a consolidação da democracia angolana. A iniciativa visa criar um ambiente de diálogo e consenso que transcenda as divisões partidárias.
Paralelamente, a UNITA defende a implementação das autarquias locais e a descentralização político-administrativa como modelos de governação essenciais. Estas medidas são consideradas vitais para promover o desenvolvimento sustentável em todo o território nacional e para fomentar uma maior participação das comunidades na gestão pública, capacitando-as a influenciar diretamente as decisões que afetam as suas vidas.
Apelos e Reconhecimentos
A declaração do 60.º aniversário também incluiu um apelo direto ao Executivo angolano para que conclua, de forma célere, o processo de reintegração social e o pagamento das pensões devidas aos antigos combatentes. Este pedido abrange as forças militares envolvidas no conflito armado, nomeadamente as FALA (Forças Armadas de Libertação de Angola, da UNITA), FAPLA (Forças Armadas Populares de Libertação de Angola, do MPLA), ELNA (Exército de Libertação Nacional de Angola, da FNLA) e FLEC (Frente de Libertação do Enclave de Cabinda), reconhecendo o seu contributo e sacrifício. Adicionalmente, a UNITA aproveitou a ocasião para felicitar as mulheres angolanas, assinalando o mês dedicado à sua valorização e emancipação.
Ao completar seis décadas de existência, a UNITA, fundada em 13 de março de 1966 em Muangai, reafirma-se como a principal força de oposição em Angola. O partido projeta-se para o futuro com a convicção de que os seus ideais fundadores e as suas propostas de alternância democrática são o caminho para construir uma Angola mais justa, próspera e verdadeiramente democrática.
Fonte: https://www.club-k.net
