Alexandria "Lexi" Zahra Jones, filha do ícone da música David Bowie e da supermodelo Iman, compartilhou recentemente uma dolorosa revelação sobre sua adolescência. Em um vídeo emocionante publicado em 18 de fevereiro no Instagram, Lexi detalhou como foi forcibly afastada de sua casa e internada em diversos centros de tratamento que ela descreve como "desumanizantes", tudo isso enquanto seu pai enfrentava o estágio final de sua batalha contra o câncer.
Aos 25 anos, Jones abriu o coração sobre as complexidades de sua juventude, marcada por desafios emocionais e psicológicos que a levaram a ser submetida a esses programas. Sua narrativa oferece uma visão íntima de um período de extrema vulnerabilidade, justaposto à tragédia familiar iminente.
A Ascensão dos Desafios na Adolescência
Os sinais de angústia começaram cedo para Lexi. Antes mesmo de completar 10 anos, após seus pais e uma professora notarem que algo "não estava certo", ela iniciou terapia. Esse período coincidiu com seu primeiro ataque de ansiedade, um prelúdio para dificuldades mais profundas que se manifestariam anos depois.
À medida que amadurecia, a situação se agravou. Jones revelou que se sentia deprimida, "como se sua mente estivesse se virando contra ela". Ela enfrentava dificuldades acadêmicas, lutava com uma deficiência de aprendizado e uma imagem corporal negativa, desenvolvendo bulimia aos 12 anos e automutilação aos 11. Sentimentos de inadequação e desvalorização eram intensificados pela percepção de ter pais bem-sucedidos, o que, ironicamente, só aumentava sua angústia. O diagnóstico de câncer de David Bowie, segundo ela, foi seu "ponto de ruptura", levando-a a um período de uso de drogas e álcool, impulsionada por raiva, medo e entorpecimento, culminando em um comportamento "cruel" na busca por respeito através do medo.
A Remoção Inesperada e Traumática
A manhã em que sua vida mudou radicalmente é vívida em sua memória. Após se preparar para a escola, Lexi foi chamada à sala de estar, onde encontrou sua mãe, seu pai e sua madrinha. David Bowie leu uma carta que terminava com as palavras impactantes: "Sinto muito que tenhamos que fazer isso". Em seguida, dois homens de grande porte entraram, oferecendo-lhe uma "maneira fácil ou difícil" de cooperação. Sua resistência resultou em uma luta violenta: ela gritou, segurou-se na perna de uma mesa, enquanto os homens a agarravam e a afastavam de tudo o que conhecia. Seus pais, embora chorando, permitiram que a cena se desenrolasse.
A experiência prosseguiu com a sensação de ser desumanizada. Uma corda foi passada ao seu redor, fazendo-a sentir-se como "gado", despojada de qualquer direito sobre sua própria vida. Ela foi forçada a entrar em um SUV preto, sozinha com os estranhos, sem saber para onde estava sendo levada, mergulhada em horror e silêncio durante o percurso.
O 'Campo de Treinamento' na Natureza Selvagem
Ao chegar ao que era descrito como um centro de tratamento na natureza selvagem, Jones foi imediatamente submetida a uma revista íntima e recebeu vestimentas atípicas para uma "garota da cidade": calças de neve e botas de caminhada. A experiência, longe de ser um acampamento terapêutico, parecia-lhe mais como o "primo estranho de um campo de treinamento militar" disfarçado de tratamento.
Durante os três meses que passou ali, a comunicação com o mundo exterior era estritamente controlada, limitada a cartas semanais apenas com pessoas previamente aprovadas. A rotina era rigorosa: as refeições eram preparadas em fogueiras, os abrigos eram construídos com lonas sob as quais dormiam em esteiras de ioga e sacos de dormir. As necessidades fisiológicas eram feitas em buracos cavados longe do acampamento, e cada uso do banheiro exigia contagem em voz alta para que a equipe pudesse monitorá-los. Recém-chegados, como ela, eram inicialmente isolados, considerados um "risco potencial à segurança" e proibidos de interagir com o grupo até que seu comportamento fosse avaliado, criando uma sensação de invisibilidade.
Reflexões sobre a Cura e a Desumanização
Apesar do ambiente hostil, Lexi reconheceu que algumas das terapias oferecidas foram úteis, embora outras a fizessem sentir-se "aberta e exposta". Contudo, a essência da experiência permaneceu "desumanizante". Ela percebeu que o propósito subjacente era privar os internos de confortos e necessidades básicas, forçando-os a um comportamento "correto" em troca de pequenos privilégios. As restrições incluíam banhos semanais, ausência de espelhos e a proibição de saber as horas, intensificando a sensação de controle e desorientação.
Apesar de tudo, um raio de humanidade surgiu através do apoio mútuo entre as meninas do grupo. Elas se ajudavam a se sentir humanas, mesmo em um lugar projetado para despojá-las dessa condição, formando um elo de solidariedade em meio à adversidade.
Um Testemunho de Resiliência e Consciência
A história de Lexi Jones não é apenas um relato pessoal de dor e superação, mas também um poderoso testemunho sobre as práticas de programas de tratamento para adolescentes. Sua experiência de ter seus anos adolescentes "acelerados" e viver uma juventude não convencional ressoa com muitos que passaram por sistemas semelhantes, onde a busca por tratamento se confundiu com a privação de liberdade e dignidade.
Ao compartilhar sua verdade com o mundo, a filha de David Bowie contribui para uma discussão crescente sobre a necessidade de maior transparência e regulamentação nessas instituições. Sua coragem em revisitar e expor essas memórias serve como um chamado à empatia e à reflexão sobre como a sociedade lida com a saúde mental de seus jovens, especialmente aqueles que enfrentam adversidades em momentos tão críticos de suas vidas.
Fonte: https://www.foxnews.com
