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Demolição do Hospital Américo Boavida Gera Críticas e Impulsiona Debate Sobre Manutenção e Saneamento em Angola

Notícias Imparciais de Angola

A recente demolição do Hospital Américo Boavida, em Luanda, acendeu um intenso debate sobre as políticas públicas de manutenção de infraestruturas e saneamento em Angola. O engenheiro António Venâncio, pré-candidato ao congresso do MPLA, vocalizou uma crítica veemente ao procedimento, utilizando o episódio como um emblemático exemplo da necessidade urgente de uma mudança profunda na gestão do patrimônio urbano do país. Em seu texto “Hora de Mudança”, Venâncio não apenas questiona a decisão de demolir, mas também associa a progressiva degradação de edificações críticas à negligência na manutenção preventiva e à precariedade do saneamento urbano, especialmente na área do Rangel.

O Colapso Silencioso e a Crítica à Demolição

A análise do engenheiro Venâncio aponta que o Hospital Américo Boavida exibia há anos sinais inequívocos de deterioração estrutural. Ele atribui essa condição a uma combinação de fatores críticos, como a influência de águas subterrâneas contaminadas, sistemas de drenagem subdimensionados e a crônica ausência de estudos técnicos adequados ao longo do tempo. Embora reconheça que, em cenários extremos, a demolição possa ser tecnicamente inevitável quando uma estrutura atinge seu "estado limite último", Venâncio levanta sérias questões sobre os procedimentos adotados. Para ele, patrimônios com valor histórico merecem abordagens que priorizem a restauração ou reconstrução, sempre com a preservação da identidade arquitetónica, respaldadas por auditorias independentes e um amplo processo de consulta pública, algo que, em sua visão, não ocorreu.

A Expertise em Patologia das Construções e o Alerta para o Futuro

Aprofundando sua argumentação, António Venâncio recorre à sua vasta experiência profissional e acadêmica. Com formação obtida na antiga União Soviética e um percurso como docente em Angola, onde orientou jovens engenheiros na área de Patologia das Construções, ele demonstra um conhecimento profundo sobre a longevidade e degradação das edificações. O engenheiro recorda visitas técnicas realizadas com seus alunos a infraestruturas emblemáticas como o Estádio da Cidadela e o Estádio 11 de Novembro, onde foram identificados problemas estruturais precoces. Essas experiências reforçam sua convicção de que a falta de manutenção e fiscalização sistemática é um fator transversal que também contribuiu decisivamente para o colapso do hospital, servindo como um preocupante presságio para outras construções na capital angolana.

Modernização Necessária, Prioridades Questionáveis

Apesar de suas críticas, Venâncio expressa uma visão otimista quanto à modernização das infraestruturas hospitalares, acreditando que o novo complexo trará benefícios significativos para as populações de Rangel, Marçal e Vila Alice. Contudo, ele enfatiza que a modernização não deve ser um fim em si mesma, mas parte de uma estratégia mais ampla. O engenheiro defende que as prioridades nacionais deveriam incluir, de forma urgente, o robustecimento da rede de cuidados primários e secundários de saúde. Mais fundamentalmente, aponta para a necessidade de um investimento estruturante e massivo no saneamento básico de Luanda, classificando-o como uma condição sine qua non para a segurança e durabilidade das edificações, bem como para a saúde pública da população.

O Apelo à "Revolução Sanitária" e Mudanças na Governança

Concluindo sua análise, António Venâncio reforça que a capital angolana abriga inúmeras construções enfrentando riscos similares aos do Hospital Américo Boavida, devido à influência de mantos freáticos, infiltrações e a ausência de sistemas de drenagem eficientes. Ele assevera que, sem uma política de manutenção consistente – preventiva, corretiva e preditiva – o país estará condenado a assistir a futuras demolições e a lamentar potenciais desabamentos. O engenheiro propõe uma verdadeira "revolução sanitária", com investimentos prioritários em drenagem de águas pluviais, tratamento de águas residuais, garantia de abastecimento de água potável e uma gestão eficaz de resíduos sólidos. Sua mensagem final é um alerta contundente: “Enquanto o saneamento básico for secundarizado e as prioridades permanecerem invertidas, edifícios históricos e infraestruturas modernas continuarão em risco”, reiterando que o momento clama por profundas mudanças estruturais na governação do país.

Fonte: https://www.club-k.net

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