O ano de 2025 marcou um ponto de virada preocupante na paisagem digital global, com interrupções intencionais da internet atingindo níveis recordes de frequência e impacto econômico. Longe de serem meros inconvenientes, esses bloqueios de conectividade se transformaram em sérios entraves ao desenvolvimento, especialmente no continente africano, onde as consequências se fazem sentir de forma aguda nas economias locais e na vida diária de milhões de cidadãos.
A Escalada Global e o Custo Bilionário da Desconexão
Um relatório recente sobre o custo dos desligamentos de internet revelou que as perdas econômicas globais, resultantes de interrupções deliberadas, dispararam para <b>US$ 19,7 bilhões</b> em 2025. Este montante representa um aumento alarmante de <b>156%</b> em comparação com o ano anterior, evidenciando uma tendência crescente de governos e autoridades recorrerem à censura digital, muitas vezes sob as justificativas de 'controle de informações' ou segurança nacional. A magnitude desses prejuízos sublinha a importância crítica da internet como infraestrutura essencial para a economia moderna.
África na Linha de Frente: Países e Perdas Específicas
Apesar de as perdas financeiras em África serem inferiores às registadas em regiões como a Europa ou a Ásia, o impacto relativo é devastador para as economias locais e a inclusão digital. A Tanzânia, por exemplo, sofreu com cerca de <b>7.000 horas de interrupções</b>, que se traduziram em perdas aproximadas de <b>US$ 889,8 milhões</b>, afetando mais de <b>20 milhões de utilizadores</b>. Outras nações africanas também enfrentaram sérias consequências, com a República Democrática do Congo, Sudão, Togo, Camarões, Sudão do Sul, Guiné-Bissau e Quénia registando eventos que, juntos, somaram mais de <b>24.000 horas de conectividade perdida</b> em toda a região. Estes números ilustram a extensão do desafio que o continente enfrenta para manter o seu ritmo de crescimento digital.
O Impacto Profundo nas Economias e na Vida Cotidiana
As interrupções de internet vão muito além das estatísticas financeiras, restringindo severamente o acesso a serviços essenciais, plataformas de comunicação e mercados transfronteiriços. Em muitos casos, os bloqueios em África incluíram o acesso a redes sociais e aplicações de mensagens, uma tática que afeta desproporcionalmente pequenas empresas, freelancers e trabalhadores remotos, que dependem fundamentalmente da conectividade digital para operar. O Quénia, por exemplo, registou múltiplas horas de interrupção que afetaram mais de <b>23 milhões de utilizadores</b>, enquanto estados menores como Togo e Camarões tiveram que lidar com horas substanciais de bloqueios de redes sociais, isolando os cidadãos de plataformas vitais para a comunicação e o comércio.
Estratégias e o Apelo por Salvaguardas Digitais
A análise dos padrões de interrupção sugere que os desligamentos mais focados e de curta duração, como os observados durante exames nacionais, tendem a ter uma pegada econômica menor. Esta constatação aponta para a possibilidade de restrições mais precisas e limitadas no tempo reduzirem o impacto global dos danos. Contudo, defensores dos direitos digitais na região sublinham a necessidade urgente de salvaguardas mais robustas e estruturas legais claras para prevenir futuros bloqueios indiscriminados. Eles argumentam que a conectividade é um pilar insubstituível para o crescimento econômico, a educação e a participação cívica em toda a África, e sua interrupção mina diretamente o progresso do continente.
À medida que o mundo se torna cada vez mais interconectado, a imposição de interrupções da internet não só representa um custo financeiro proibitivo, mas também uma barreira fundamental ao desenvolvimento humano e socioeconômico. A comunidade global e os governos africanos são instados a reconhecer a internet não apenas como uma ferramenta tecnológica, mas como um direito fundamental e um catalisador indispensável para um futuro próspero e inclusivo.
Fonte: https://techafricanews.com
