O Brasil deu o pontapé inicial na construção da estratégia de comunicação para a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, evento que sediará pela primeira vez. Um encontro crucial, articulado pela Secretaria Extraordinária para a Copa do Mundo de Futebol Feminino 2027 (Secopa27), vinculada ao Ministério do Esporte, reuniu nesta terça-feira diversas entidades governamentais. A iniciativa marca o início de uma colaboração contínua, visando não apenas o sucesso esportivo, mas também a promoção de um legado social duradouro.
Abordagem Estratégica: Além do Campo, Construindo Oportunidades
A concepção comunicacional do torneio transcenderá a mera dimensão esportiva, adotando uma visão ampliada que prioriza impactos sociais e de desenvolvimento. Segundo Juliana Agatte, secretária Extraordinária da Secopa27, este é um momento fundamental para planejar uma comunicação estratégica que coloque em destaque o legado social, o aprimoramento do esporte e as oportunidades que serão geradas no período que antecede e durante a realização do evento, tanto em âmbito nacional quanto internacional. A proposta central é valorizar a inclusão, a igualdade de gênero e o fortalecimento do futebol feminino, promovendo transformações que perdurem para além do campeonato.
O Papel Central da Comunicação Pública e o Engajamento da EBC
A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) emerge como um parceiro estratégico fundamental nesse processo, com sua presidente, Antônia Pellegrino, ressaltando a relevância da comunicação pública na amplificação da visibilidade da modalidade e na promoção de ações de impacto social. Entre as prioridades da EBC, estão a expansão da presença do futebol feminino em suas transmissões, o estreitamento de laços com entidades do setor esportivo e o desenvolvimento de campanhas de conscientização contra a violência à mulher, utilizando o esporte como ferramenta de mobilização social.
Experiência e Iniciativas Marcantes da EBC
Pellegrino detalhou as experiências recentes da empresa, que podem servir de modelo para futuras iniciativas ligadas à Copa. A TV Brasil, emissora pública da EBC, consolidou-se como a 'tela do futebol feminino', transmitindo há três anos consecutivos as principais competições nacionais da modalidade, incluindo as Séries A1, A2, A3 e categorias de base, representando o maior pacote de transmissões do esporte em TV aberta. Dados recentes, como o aumento de 25% na audiência dos jogos em um período avaliado, demonstram o acerto da aposta da TV pública na popularização do futebol feminino.
Em março, a EBC, em colaboração com a Petrobras, lançou o Prêmio TV Brasil Petrobras para Elas. Este reconhecimento anual visa premiar a excelência esportiva e fortalecer institucionalmente o futebol feminino brasileiro, com um forte compromisso social. No mesmo dia, foi deflagrada a campanha 'Feminicídio Nunca Mais', que contou com a participação de ex-atletas como Raí, reforçando o foco na conscientização e prevenção da violência contra mulheres e meninas, utilizando a plataforma esportiva para promover uma mensagem vital.
Articulação Interministerial para o Sucesso e Projeção Internacional
A reunião da última terça-feira contou com a participação da Secretaria Extraordinária para a Copa do Mundo Feminina 2027 (Secopa27), do Ministério do Esporte, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR), da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE). Essa atuação conjunta é considerada vital para alinhar as narrativas, projetar positivamente a imagem do Brasil no exterior e garantir o engajamento de toda a população com o evento.
Para assegurar a coordenação contínua e eficaz entre as instituições responsáveis pela preparação do país para o campeonato, ficou definida a realização de encontros semanais. Esses espaços permanentes de colaboração serão fundamentais para a construção de uma estratégia coesa e integrada, que pavimente o caminho para uma Copa do Mundo Feminina histórica e transformadora.
A mobilização precoce e a abrangência da articulação governamental indicam o compromisso do Brasil em sediar não apenas um grande evento esportivo, mas também em utilizá-lo como catalisador para avanços sociais significativos, consolidando o legado do futebol feminino e promovendo valores essenciais de inclusão e igualdade em nível global.
