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Censo Angolano de 2024: Divergência entre Dados Oficiais e Visão Acadêmica Suscita Debate Nacional

Notícias Imparciais de Angola

Angola encontra-se no centro de um debate crucial sobre a fidedignidade de seus dados demográficos. Enquanto o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou recentemente os resultados definitivos do Recenseamento Geral da População e Habitação de 2024, apresentando um retrato detalhado da nação, vozes proeminentes da academia angolana contestam a validade desses números para fins de pesquisa e planejamento estratégico. Essa dicotomia levanta questões significativas sobre a base informacional que orienta as políticas públicas e o desenvolvimento do país.

A Controvérsia Acadêmica sobre a Validade do Censo de 2024

O diretor do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola (CEIC), Alves da Rocha, expressou publicamente que, para a comunidade investigativa, Angola carece de um recenseamento geral da população considerado plenamente válido, destacando que o último levantamento aceitável por pesquisadores permanece sendo o de 2014. Segundo ele, o Censo de 2024 foi marcado por 'vicissitudes' que comprometem sua utilidade para cálculos precisos, como as taxas de emprego e desemprego, devido à ausência de uma base populacional 'fixa e segura'.

O Desprezo pela Pesquisa Interna e a Influência Externa

Alves da Rocha lamentou, durante a apresentação dos 'Cenários de Crescimento da Economia Angolana até 2030 e Impactos sobre o Emprego e a Pobreza', que os esforços e a capacidade investidos por centros de investigação locais frequentemente resultam em frustração. Ele criticou a percepção de que as soluções e políticas públicas propostas por instituições nacionais, como o CEIC, são preteridas em favor das opiniões e análises de entidades estrangeiras, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, o que, para ele, desvaloriza o trabalho científico interno e as suas importantes contribuições.

Os Resultados Oficiais do Censo 2024: Um Retrato Demográfico Detalhado

Em contraste com as preocupações acadêmicas, o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou os resultados definitivos do Recenseamento Geral da População e Habitação de 2024, que indicam uma população total de 36.604.681 habitantes. Deste total, 49% (17.931.985) são homens e 51% (18.672.696) são mulheres. Os dados revelam um crescimento populacional significativo, com um aumento de mais de dez milhões de pessoas em uma década, passando de 25.789.024 habitantes em 2014 para o patamar atual, o que corresponde a uma taxa de crescimento intercensitária de 3,5%.

A análise da área de residência mostra que a maioria dos angolanos vive em zonas urbanas, com 65,5% da população (23.991.388 habitantes) residindo em centros urbanos, enquanto os 34,5% restantes (12.613.293 habitantes) ocupam as áreas rurais do país.

Aspectos Chave da Estrutura Populacional Angolana

O Censo de 2024 também forneceu informações detalhadas sobre a estrutura demográfica. O índice de masculinidade do país é de 96%, indicando a presença de 96 homens para cada 100 mulheres. Contudo, essa proporção varia regionalmente, com as províncias da Lunda Norte e Cuando apresentando os índices mais altos, com 106% e 104% respectivamente. Por outro lado, Benguela e Cunene registram os índices mais baixos, com 92 homens para cada 100 mulheres. A população angolana é predominantemente jovem, com uma idade média de 23 anos, sendo a idade média urbana de 23 anos e a rural de 22 anos.

Em relação à distribuição geográfica, Luanda mantém-se como a província mais populosa, abrigando 8.816.297 habitantes, enquanto Cuando continua sendo a menos populosa, com apenas 138.770 residentes. O país contabiliza 9.110.616 agregados familiares, com a maioria dos chefes de família sendo homens, e a faixa etária predominante para essa função é entre 25 e 34 anos, representando 27% do total.

Densidade Demográfica e Ocupação do Território

Apesar de sua vasta extensão territorial de 1.246.700 quilômetros quadrados, Angola possui uma densidade populacional média de 29,4 habitantes por quilômetro quadrado. Essa média esconde grandes contrastes regionais: Luanda é a província mais densamente povoada, com impressionantes 5.349,3 habitantes por quilômetro quadrado, enquanto Cuando se destaca como a menos densamente povoada, com apenas 1,3 habitantes por quilômetro quadrado, ilustrando a disparidade na ocupação e desenvolvimento territorial angolano.

A coexistência de dados oficiais detalhados do Censo 2024 e a forte crítica da comunidade acadêmica sobre sua validade representam um desafio complexo para Angola. Enquanto o INE apresenta um panorama estatístico robusto, as preocupações levantadas por pesquisadores como Alves da Rocha sublinham a importância de dados consensualmente aceitos para o planejamento estratégico eficaz e a formulação de políticas públicas que realmente reflitam as necessidades e realidades do país. A superação dessa lacuna de confiança é fundamental para garantir que as decisões futuras sejam embasadas em informações precisas e incontestáveis, essenciais para o progresso de Angola.

Fonte: https://www.club-k.net

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