A delegação brasileira encerrou uma fase marcante de sua campanha nos Jogos de Inverno de Milão e Cortina com o desfecho das provas masculinas de esqui alpino. Após momentos de grande expectativa e um ouro inédito, os atletas verde e amarelos seguem na disputa, marcando presença em outras modalidades e preparando-se para novas provas, consolidando uma participação que já se configura como histórica e representativa para o esporte nacional.
Desempenho Brasileiro no Slalom Masculino
A última disputa masculina no esqui alpino, o slalom, trouxe momentos de tensão para a equipe brasileira. Lucas Pinheiro Braathen, já celebrado pela histórica medalha de ouro no slalom gigante, não conseguiu replicar o feito. Enfrentando neve intensa e visibilidade reduzida em Bormio, o esquiador, que representa o Brasil desde 2025, desequilibrou-se e caiu durante a primeira descida, ficando fora da briga por medalhas. Christian Soevik, outro representante do país, também teve sua estreia olímpica interrompida por uma queda precoce.
Contudo, a prova reservou um destaque para Giovanni Ongaro. O esquiador ítalo-brasileiro completou as duas descidas com um tempo total de 2min06s87, garantindo a 27ª posição. Este resultado estabeleceu um novo recorde para o Brasil na disciplina, superando a 39ª colocação de Maya Harrison em Sochi 2014. Giovanni expressou satisfação com sua performance, especialmente na segunda descida, e celebrou o apoio de fãs brasileiros e italianos. Lucas, por sua vez, reforçou o propósito da delegação: "Eu e o Brasil não estávamos aqui nos Jogos Olímpicos de Inverno só para participar. Estávamos aqui para fazer a diferença, trazer nossas cores, outra mentalidade, outra cultura e celebrar essa diversidade do Brasil e do esporte".
Os Desafios Técnicos do Slalom
Tecnicamente, o slalom é uma das disciplinas mais exigentes do esqui alpino. Os atletas devem superar duas descidas por um percurso sinuoso, marcado por 'portas' formadas por mastros fincados na neve. A distância entre essas hastes é de aproximadamente 13 metros, um desafio consideravelmente maior em comparação com os cerca de 25 metros da disciplina de slalom gigante, demandando agilidade e precisão. A somatória dos tempos das duas descidas determina o ganhador. O pódio do slalom masculino foi composto pelo suíço Loic Meillard (ouro), o austríaco Fabio Gstrein (prata) e o norueguês Henrik Kristoffersen (bronze).
Próximos Passos: O Esqui Alpino Feminino com Alice Padilha
A campanha brasileira no esqui alpino ainda reserva emoções com a entrada da equipe feminina. Nesta quarta-feira (18), a partir das 6h (horário de Brasília), a jovem Alice Padilha fará sua estreia na prova do slalom. A carioca de 18 anos é a integrante mais jovem da delegação verde e amarela em Milão-Cortina, e sua participação simboliza a renovação e o futuro promissor do esqui brasileiro no cenário internacional.
Acelerando no Gelo: A Estreia Brasileira no Bobsled
Paralelamente às provas de esqui, o Brasil também marcou sua presença nas pistas de gelo com a estreia na modalidade de bobsled. A equipe verde e amarela iniciou sua participação na disputa de 2-men, com o experiente baiano Edson Bindilatti e o paulista Luís Bacca. A competição, que se estende por quatro descidas distribuídas em dois dias, exige máxima coordenação e velocidade. Após as duas primeiras baterias, a dupla brasileira se posiciona na 24ª colocação, com um tempo combinado de 1min53s76. A liderança provisória está com os alemães Johannes Lochner e Georg Fleischhauer, que registraram 1min49s90.
Perspectivas e o Desafio da Classificação no Bobsled
Com as duas últimas descidas programadas para terça-feira (17), a equipe brasileira busca melhorar sua performance. Para ter a chance de disputar a quarta e decisiva bateria, Bindilatti e Bacca precisam alcançar, no mínimo, a 20ª colocação. Edson Bindilatti avaliou o desempenho inicial, destacando a competitividade na largada (o 'push') e a importância de analisar os vídeos para aprimorar a técnica. Ele vê a prova de 2-men como um valioso 'treino de luxo' para a disputa de 4-man, que acontecerá no próximo final de semana, evidenciando a estratégia e o foco da equipe em múltiplas frentes.
Apesar dos desafios e da alta competitividade das provas de inverno, a participação brasileira nos Jogos de Milão e Cortina continua a ser um marco de superação e diversidade. Do pódio inédito de Lucas Pinheiro Braathen à promessa de Alice Padilha e à determinação da equipe de bobsled, os atletas verde e amarelos não apenas competem, mas buscam inspirar e consolidar a presença do país em modalidades que, historicamente, são dominadas por nações com tradição em esportes na neve e no gelo, cultivando uma cultura esportiva rica e multifacetada.
