O Governo angolano e o Grupo Opaia inauguraram, nesta terça-feira, a primeira fábrica nacional de montagem de veículos automotores, denominada Opaia Motors, instalada na Zona Económica Especial Luanda-Bengo (Icolo e Bengo). A cerimônia contou com a presença de representantes do Executivo e do setor privado, marcando um passo significativo na estratégia de industrialização do país.
A nova unidade industrial tem capacidade produtiva anual projetada para 22.000 veículos ligeiros e 1.000 autocarros, voltados ao mercado interno e à futura exportação regional. Trata-se da primeira linha de montagem de automóveis em solo angolano com operação regular desde a concepção do projeto.
Segundo o comunicado oficial do Grupo Opaia, a fábrica já emprega cerca de 1.500 trabalhadores angolanos, com previsão de expansão para 3.500 empregos diretos nos próximos anos. O plano de desenvolvimento da fábrica inclui formação técnica contínua para o quadro de colaboradores, com foco em montagem, manutenção e gestão logística.
Em declarações à imprensa, o Ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, afirmou que o projeto “representa um marco para a diversificação da base produtiva angolana e reforça o compromisso do Governo com políticas de industrialização sustentável”. Massano destacou, ainda, que a fábrica insere-se no Plano Nacional de Desenvolvimento e nas metas governamentais de redução da dependência de importações.
A produção na Opaia Motors combina componentes importados com insumos e serviços locais, em uma estratégia considerada crucial para o fortalecimento progressivo da cadeia de valor nacional. Autoridades e executivos do setor automotivo ressaltaram que o fabrico composto favorece a transferência de tecnologia e a capacitação de mão de obra especializada.
Analistas económicos consultados por Redponto observam que a entrada da Angola no segmento de montagem de veículos pode impactar positivamente o setor industrial do país, ao estimular fornecedores locais e atrair possíveis parcerias internacionais, embora ressaltem desafios ligados à competitividade e à infraestrutura logística.
O lançamento oficial da fábrica ocorre em um momento em que o Governo angolano busca ampliar a produção interna e reduzir a pressão das importações, reforçando setores não-petrolíferos como pilares de crescimento económico sustentável.
