A recente revelação da cantora Ana Castela sobre seu diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção (TDA) capturou a atenção do público e reacendeu uma importante discussão nas redes sociais: qual a real diferença entre TDA e TDAH? Para esclarecer as complexidades e terminologias envolvidas, o portal LeoDias buscou a expertise da Dra. Thaíssa Pandolfi, médica psiquiatra especializada em neurodivergência e superdotação feminina, que trouxe luz sobre o tema.
A Descoberta Pessoal de Ana Castela e a Busca por Compreensão
Aos 22 anos, Ana Castela compartilhou com seus seguidores no Instagram a jornada que a levou ao diagnóstico. Após uma consulta médica, a artista expressou um profundo alívio ao finalmente encontrar sentido para padrões comportamentais que a acompanhavam há muito tempo. “Acabei de sair da consulta e vou te falar: agora minha vida fez sentido. Agora eu entendi tudo já”, declarou, evidenciando a importância de um diagnóstico para a auto compreensão. Ela fez questão de pontuar que seu quadro não incluía o componente de hiperatividade, afirmando: “Vocês estão falando que eu esqueci o ‘H’ do TDAH, mas eu não tenho o ‘H’, só tenho o ‘A’”, o que indica uma apresentação predominantemente desatenta do transtorno. A cantora planeja dar continuidade ao acompanhamento com uma neuropsicóloga para aprofundar seu tratamento.
TDA ou TDAH? Entendendo as Nomenclaturas Atuais
A Dra. Thaíssa Pandolfi esclarece que, do ponto de vista técnico e de acordo com os manuais diagnósticos modernos, o termo “TDA” não é mais empregado isoladamente. O diagnóstico formal é sempre o de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Contudo, a confusão persiste porque o que popularmente se conhece como “TDA” refere-se, na verdade, a uma das manifestações do TDAH: a apresentação predominantemente desatenta. Isso significa que a pessoa pode ter o transtorno, mas seus sintomas principais se concentram na dificuldade de manter o foco e a atenção, sem a manifestação proeminente de hiperatividade física.
Os Diferentes Perfis de Apresentação do TDAH
Dentro do espectro do TDAH, existem diferentes maneiras pelas quais o transtorno pode se manifestar, além da apresentação combinada. Na apresentação predominantemente desatenta, observam-se dificuldades significativas como a concentração sustentada, esquecimento frequente de compromissos ou objetos, desorganização em tarefas e ambientes, e uma notável tendência à procrastinação. Estes sintomas podem não ser acompanhados de sinais de inquietação física ou impulsividade. Em contrapartida, outras apresentações do TDAH podem incluir características marcantes de hiperatividade e impulsividade, como inquietação motora, dificuldade em esperar a vez, fala excessiva e decisões tomadas sem reflexão prévia. É crucial diferenciar esses perfis para um diagnóstico e tratamento precisos.
O Desafio do Diagnóstico Tardio na Vida Adulta
A história de Ana Castela reflete uma realidade comum: o diagnóstico de TDAH frequentemente ocorre apenas na vida adulta. A Dra. Pandolfi aponta que muitos indivíduos passam anos convivendo com sintomas que nunca foram devidamente identificados ou compreendidos. Essa demora se deve, em grande parte, a antigas crenças de que o transtorno afetava majoritariamente meninos hiperativos na infância. Assim, casos com manifestações mais sutis, em especial aqueles em que a desatenção é o sintoma predominante e não há hiperatividade evidente – como no caso da cantora –, acabavam passando despercebidos. Estatísticas revelam que entre 60% e 70% dos adultos com TDAH nunca foram diagnosticados na infância. Atualmente, estima-se que 2,5% a 5% da população adulta mundial conviva com o transtorno, com muitos casos ainda sem identificação formal.
Sinais Precoces e a Importância da Identificação
Embora o reconhecimento oficial do TDAH possa demorar até a fase adulta, os indicadores do transtorno geralmente se manifestam ainda na infância ou na adolescência. Na infância, sintomas comuns incluem distração constante, dificuldade para concluir tarefas, perda frequente de materiais escolares, esquecimento de objetos pessoais e problemas em manter a organização e a rotina. À medida que o indivíduo cresce e atinge a adolescência, esses sinais podem evoluir para uma persistente dificuldade em manter uma rotina de estudos consistente, a sensação de estar sempre ‘correndo atrás do prejuízo’, bem como impulsividade em decisões e uma marcante instabilidade emocional. A observação atenta desses padrões é crucial para uma intervenção precoce e eficaz.
A visibilidade de figuras públicas como Ana Castela ao compartilhar suas experiências com o TDAH desempenha um papel fundamental na desmistificação do transtorno e na encorajamento de outras pessoas a buscar ajuda profissional. Entender que o TDAH é um transtorno complexo, com diversas apresentações, e que seu diagnóstico pode vir em qualquer fase da vida, é essencial para promover a conscientização e garantir que mais indivíduos recebam o suporte e o tratamento adequados.
Fonte: https://portalleodias.com
